Defenda-se dos Bancos
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As instituições financeiras estão bem organizadas. Elas têm estruturas aperfeiçoadas permanentemente e informatizadas. Ao longo dos últimos anos aumentaram a eficiência e diminuíram suas folhas de pagamento, demitindo seus servidores. Os bancos estão associados uns aos outros, a fim de proteger-se mutuamente. Também buscam sempre a manutenção dos privilégios que os tornou o maior conjunto de empresas do Brasil. E também as mais lucrativas.

Os banqueiros contratam os melhores executivos do mercado. Se necessário, até os trazem do exterior. Os melhores executivos brasileiros têm formação no exterior e experiência no mercado financeiro mundial. Não há dúvidas acerca a competência dos bancos e como fincaram fundo suas raízes cá na terra de Cabral.

Partindo de uma realidade inquestionável, nos últimos anos o cliente bancário começou a se organizar. Mas ainda carece de uma estrutura mais poderosa, para poder negociar com bancos. Sabemos que o percentual de quem discute na justiça a relação com os bancos é ínfimo. Aos bancos interessa manter tudo como está, porque o percentual de inadimplentes é baixo. Para os clientes esta situação tem de mudar sensivelmente. Os órgãos municipais de defesa do consumidor ainda engatinham. E quando se trata de instituição financeira, os Procons não funcionam. Então é preciso organizar estruturas com eficiência, a fim de equilibrar essa relação.

Em nível nacional, a Febraban defende o interesse dos bancos extrajudicialmente. Em cada município os bancos participam ativamente das associações comerciais. Como é impossível fazer a revisão judicial de todos os contratos bancários, é preciso que tenhamos uma instituição com objetivos bem específicos. É necessário criar, com urgência, associações de clientes de bancos em todos os municípios brasileiros. Isso porque não podemos esperar mudança de conduta das instituições financeiras. E principalmente porque não há uma política de governo para isso.

As razões para essa soma de esforços são várias. Uma delas é criar a possibilidade do consumidor bancário receber informações e orientação de como proceder. E auxiliá-lo na negociação com o banco. Outro motivo está relacionado com organização e planejamento. A capacidade de reunir os consumidores em torno de um objetivo comum exigirá planejamento.

Ainda há outro fator que deve determinar a criação dessas associações: a assistência permanente. Essa assessoria não deve ser criada apenas para salvar quem está atolado em dívidas com bancos. É preciso que a missão seja a de evitar que o cliente se endivide. A adoção de medidas preventivas, como em qualquer doença, afastará o consumidor da beira do precipício. Atenção, repito, atenção: a agregação dessas forças deve ser urgente. Não dá para ficar protelando indefinidamente, esperando que o poder público adote medidas de contenção contra os bancos. Por outro lado, a associação terá condições de exigir, de todos os bancos e financeiras, o cumprimento de disposições legais e administrativas que já estão em vigor.

No País várias associações de caráter privado defendem os consumidores bancários. Algumas são citadas nesta obra. Uma das mais atuantes é a ANDIF, com sede em São Paulo e com sede regionais na região Sul. Essa associação tem conseguido vitórias importantes na esfera judicial e extrajudicial. Outra instituição muito importante é o IDEC. Apesar dos esforços de muitas dessas organizações, persistem as violações dos direitos dos consumidores. A dimensão é tão grande que necessitaríamos de organizações de defesa em cada município. Por isso é que precisamos de associações organizadas e com efetiva atuação em todo o território nacional.

Hoje temos a necessidade de criar o plano de saúde financeira doméstica. Com as finanças abaladas, as famílias tendem a entrar em conflito. O clima em casa fica insustentável, com agressões verbais e até físicas. A depressão é uma constante. E a depressão causa outras doenças. Por isso ouso dizer que saúde financeira na família traz saúde para todos os corpos. Quem deve perde o patrimônio e a tranqüilidade. Muitas vezes perde os dois. Não estou afirmando que devemos ser ricos, mas gastar racionalmente e jogar muito duro com os bancos e financeiras.

Outro argumento sobre a necessidade de organização se refere ao trabalho. Parte importante do nosso trabalho é sugado pelos bancos. Trabalhar para pagar juros não é um bom negócio. Quanto menos juros pagarmos, mais tranqüilidade teremos. Ao reduzirmos os juros pagos a zero, estaremos produzindo para nós mesmos e para nossas famílias.

No ano de 2.005 pagamos quase duzentos bilhões de juros. Significa afirmar que o trabalho de milhões de famílias brasileiras sustentam os bancos. E pasmem: um terço dos bancos privados nacionais são filiais de bancos internacionais. E o inverso também é verdadeiro: bancos brasileiros estão comprando banquinhos lá fora para mandar o nosso suado dinheiro.

Há ainda outro motivo para organizar os clientes dos bancos. Nos últimos anos os bancos têm articulado estratégias agressivas, nos sentido de conquistar o consumidor. Uma delas é fazer parcerias com entidades públicas e privadas, para financiar o consumidor. Assim, emprestam com risco quase zero e tem uma clientela cativa. Isso ocorre com servidores públicos, aposentados e até com empregados do setor privado. Os juros pagos por essa clientela é altíssimo, considerando os baixíssimos riscos de inadimplência.

O volume de empréstimos em geral tem crescido numa velocidade assustadora. Os clientes de lojas de eletrodomésticos têm uma concepção equivocada quando vão comprar. Acreditam piamente que estão fazendo negócios a crédito com a loja. E isso não corresponde à verdade. A partir do financiamento de quaisquer desses bens, entram em campo as financeiras e os bancos. O Bradesco e Itaú fecharam parceria com as redes Casas Bahia, Lojas Americanas e Lojas Colombo. Com essas parcerias, os bancos pagam os bens duráveis à vista. E recebem todo o pagamento, embutidos os juros, dos clientes. É um novo filão de mercado. Toda essa movimentação estratégica dos bancos exige uma organização maior dos consumidores. Na verdade, estamos numa guerra. De um lado há um inimigo com armas e organizado. Do nosso lado temos as armas, faltando a organização.

Como vamos nos organizar? Em princípio, para começar, podemos trocar idéias através dos meios de comunicação. A internet é um instrumento valioso a favor dos consumidores. Há também diversas organizações que podem auxiliar nesta cruzada. O mais importante é a disposição de fazer alguma coisa. Podemos começar reunindo poucas pessoas. Com o tempo o contingente vai aumentar. E muito! O resultado será uma relação racional e produtiva.

A organização se justifica também porque não podemos levar todos os contratos bancários à apreciação do Poder Judiciário. Seria impossível revisar mais de cem milhões de contratos. Por isso se justifica essa proposta.

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